Meucotidiano Weblog

Falo a lingua dos loucos porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos.

Repatriados na própria pátria março 24, 2008

Filed under: Sem-categoria — meucotidiano @ 8:04 pm

z-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgDe acordo com o dicionário da língua portuguesa, repatriar significa: restituir ou fazer regressar à pátria. São inúmeros os comentários sobre os brasileiros que vêm sendo repatriados da Espanha, ou melhor dizendo, humilhados, escorraçados, maltratados, dentre outros adjetivos que não cabe aqui citar.

Finalmente o Brasil decide usar o princípio da reciprocidade para com o tratamento dado aos nossos brasileiros que tentam entrar na Europa. Seguindo os princípios e regras do estatuto dos estrangeiros previsto na Lei 6815/80, os brasileiros finalmente resolveram ser um pouco mais criteriosos na entrada de estrangeiros e vem repatriando os mesmos que tentam entrar no país sem estar devidamente documentados ou legalizados perante as exigências vigentes na lei. Atitude plausível, porém, tardia! Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca!

Na verdade o brasileiro é um cidadão repatriado no seu próprio país (precisa ser lembrado de regressar a pátria todos os dias), se ausenta das responsabilidades como cidadão, e só se lembra de sua nacionalidade de quatro em quatro anos e não é na época de eleições, mas sim na época da copa. Ali sim, todos têm o orgulho de ser brasileiro, se vestem no manto verde e amarelo e gritam com todo orgulho: “Eu sou brasileirooooooooooooo, com muito orgulhooooooooo, com muito amoooooooooooooor”.

Que orgulho é esse? De ser o “melhor” no futebol e o pior em todo resto? De eleger todo ano corruptos e ficar inerte aos acontecimentos porque acha que já fez demais em ir votar? De aceitar a falta de educação, saúde, comida, respeito, emprego, moradia e condições mínimas de uma vida digna? Parece que o futebol supera tudo e a gente vai ficando assim, aceitando o tratamento que nos é dado lá fora. Sabe por que isso acontece? Porque estamos acostumados a ser humilhados, escorraçados e maltratados. Como exigir respeito fora, se aqui dentro não somos respeitados?

Deveríamos retornar à pátria todos os dias, e nos questionar o que temos feito para mudar as humilhações sofridas. Ver pequenas atitudes como esta da Polícia Federal em repatriar os estrangeiros que não estejam em conformidade com as normas de imigração realmente nos orgulha, mas antes de exigir o respeito dos de fora, temos que mudar muita coisa aqui dentro, e ai sim quem sabe, teremos respeito lá fora, aqui dentro ou em qualquer lugar que formos sem sermos repatriados.

 

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Eu sei, mas não devia março 14, 2008

Filed under: Sem-categoria — meucotidiano @ 11:54 pm

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Fonte: http://www.almacarioca.com.br

Autoria: Marina Colasanti
 

 

Dr. Louco x Roqueiro do bem março 11, 2008

Filed under: Sem-categoria — meucotidiano @ 11:47 am

Não poderia deixar o “Grande paredão BBB8” passar em branco. Marcelo x Rafinha, seria a representação do bem e do mal? O que é bem, o que é mal? Depende do ponto de vista de cada um…ambos temos acertos e erros na vida.

No começo, Marcelo parecia um “Ser admirável”, dizendo que lá dentro seria ele mesmo e que o Doutor  psiquiatra (coisa que ele ainda não é porque não tem o titulo de especialização) ficaria do lado de fora. Assumiu sua sexualidade e se denominou gay, será mesmo? ou quis cair nas graças do público que ovacionou,  e deu o prêmio a Jean merecidamente? Eu fico com a segunda opção. Só que ele esqueceu uma pequeno detalhe, Jean além de ser uma pessoa hiper autêntica e culta, não se propôs a finjir, representar e se contradizer, isso fez com que as pessoas o respeitassem e o admirassem, dentro e fora da casa.

Marcelo por sua vez, se diz gay, está apaixonado por Gysele e se contradiz o tempo todo. Com mania de impor sua verdade as pessoas não enxerga a o seu próprio umbigo, e faz feio…acusa os outros de representar e age como se estivesse em cima de um palco, toda as vezes que fala com Bial capricha nas caras e bocas e sempre larga uma pitadinha de sinismo acusando alguém de ser errado, afinal ele é o dono da verdade! Ele é o “Doutor Psiquiatra” aplicando suas teorias furadas e analisando a personalidade alheia. Que grande profissional ele será se não for o próximo paciente de si mesmo, porque dúvido que ninguém vá confiar num louco pra se tratar.

Rafinha que entrou no segundo minuto do segundo tempo marcou o gol! Nunca teve atritos com ninguém, e apesar de ser campineiro age como um mineirinho, comendo pelas beiradas e fazendo sucesso com a mulherada. Passou por todas as aprovações que qualquer homen poderia passar, arrudiado de beldades doidas para lhe oferecerem carinho e foi fiel a namoradinha que deixou aqui fora, bom menino!

Sortudo, ele ganhou carros, tv, computador, passeios, e acho que só falta levar o prêmio pra confirmar que nasceu com a bundinha virada pra lua.

Criativo, lançou com seus amigos marcão e alê a rádio pinel pra passar o tempo e falar besteira, ao invés de ficar tramando e criticando os outros o tempo todo como faz seu adversário no paredão, foi fiel a seus principios e não passou por cima de ninguém, teve grandes atitudes nos últimos dias que lhe confirmam o rótulo de menino bonzinho.

Tem gente que prefere ser mocinho e outros acham que ser bandido é mais divertido.

Eu ainda prefiro o mocinho, e vc?  Como diz Bial:  “Entre e dê uma espiadinha”!

 

Ô Raiva do Pitoco março 9, 2008

Filed under: Sem-categoria — meucotidiano @ 11:17 pm

Estive observando meus sapatos e contabilizando meus gastos com a durabilidade das capas fixas que eu costumo chamar de “pitoco”. Acho que a quantia que gastei consertando meus sapatos que perderam os “pitocos” daria pra comprar mais meia dúzia deles, e ai gastaria mais ainda colocando os “pitocos” dos novos que também insistem em soltar.

Pode parecer maluquice esse negócio de “pitoco” pra cá, e “pitoco” pra lá, mas eu vou explicar o que acontece. As capas fixas, cientificamente falando não resistem muito tempo de uso e muito menos de tropeços e ficam pelo caminho. Então pensei em enumerar os algumas situações onde é fácil perder o tal “pitoco” do salto.

1. Desgaste do mesmo

2. Topadas

3. Ruas esburacadas com crateras e buracos gigantes no calçamento (algo normal na minha cidade)

4. Qualidade duvidosa do sapato

5. Andar de modo pouco elegante

6. Formaturas, casamentos, baladas, sambões, forrós com o mesmo calçado (eles tem tempo de aposentadoria)

Gasto em média 5 reais num sapateiro barato pra recolocar os tais “pitocos”,e olha que no shopping se paga entre R$ 8 e 10. Normalmente as sandálias estão novinhas e ainda podem ser usadas por muito tempo só que sem o “pitoco” ficam encostadas no armário porque não tem quem agüente usá-las com o barulho do parafuso no chão toc, toc, toc,  acompanhado de uma arranhadura metalizada  terrível que incomoda a quem anda e a quem ouve o andar.

Vou fazer uma soma anual do dinheiro gasto com todos os “pitocos” que perdi nas ruas esburacadas e crateras que acabo caindo diariamente, e pedir restituição a Prefeitura Municipal de Salvador.

Estive pensando além das situações citadas, será que o problema está comigo? Será que não sei caminhar e por isso sou uma destruidora de “pitocos”?

Lendo um simples perfil do meu signo, achei essa definição que se enquadra perfeitamente nessa história toda.

“Tentem reparar em uma sagitariana andando. Vejam como a maioria costuma andar com o nariz empinado, parecendo um cavalo puro sangue. Vejam como ela é uma mulher elegante e confiante, mesmo quando tropeça e sai derrubando tudo pelo caminho! Sim, a coisa mais difícil de encontrar é uma sagitariana que não seja um pouco desajeitada”.

Será que devo me sentir honrada por parecer um puro sangue? Ou será que eles quiseram dizer que eu cavalgo ao invés de caminhar? A parte do tropeço nem precisava citar, eu sinto isso diariamente nos tropeções e “pitocos” que vou deixando pra trás. Se bem que agora eu costumo parar pra procurar onde caiu pra poder levar no sapateiro e mandar ele recolocar, afinal, são 5 reais jogados fora.

Os sapatos se tornaram minha paixão e os “pitocos” meu pesadelo, algo que me irrita de verdade. Antigamente será que as mulheres sofriam com isso? Em compensação, os sapatos de hoje, com ou sem “pitoco” são muito mais lindos que os de antigamente.