Barriga é barriga

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício – entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho – mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna, a tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido15 anos? Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista, compositor e intérprete baiano é conhecido como pai da preguiça. Passa 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, leva 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico, completou 90 anos e nada indica que vá morrer tão cedo. Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde… !!!!! E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo.Você terá toda eternidade para ser só osso!!! Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!! Você tem pneus??? Lógico, todo avião tem!!!

Autor: Arnaldo Jabor

Superando as Barreiras…

Vou aproveitar a sabedoria que a Gladis compartilhou para comentar sobre o tempo de nossas escolhas. Ela fala que fez uma guinada na vida a partir dos 50 anos. Por que não? Tem gente que começa a faculdade depois dos 60, ou faz “aquela viagem” aos 70, enfim, o limite para ser e fazer somos nós mesmas que estabelecemos. Acredito que há uma pergunta que pode desfazer qualquer tipo de barreira: E DAÍ? Você quer aprender a tocar piano, mas demora sete anos – E DAÍ? Você quer fazer uma viagem, mas vai precisar economizar muito – E DAÍ? Você quer entrar em forma, mas vai demandar esforço e tempo – E DAÍ? Não importa se algo demora, vai exigir disciplina, paciência ou reformulação de hábitos. Se é algo que desejamos muito, então, vamos colocar em nossa vida, pois desde o primeiro minuto já estaremos usufruindo da alegria e da energia dessa escolha. Nada é mais definidor do que a escolha. A partir disso a única questão que vai realmente fazer a diferença é FAZER. Sei que tem sempre obstáculos, desafios, dificuldades e outras cositas más. Mas, E DAÍ? Se você quer mesmo isso, faça-o. Afinal a vida é resultado do que vivemos, não do que gostaríamos de ter vivido. Tudo é possível. Há um poder extraordinário em uma decisão. Não importa o tempo, a dificuldade ou os obstáculos, quando decidimos algo, uma força e uma energia especiais se colocam em ação e, muitas vezes,não sabemos nem explicar como conseguimos algo, mas podemos desfrutar da conquista. E isso é o que vale, não é mesmo?
(Autor Desconhecido)

Uma das maneiras mais fundamentais de garantir e manter a liberdade de expressão num regime democrático é ter livre acesso aos políticos e parlamentares responsáveis por zelar por esse mesmo regime.

Esse direito foi retirado dos repórteres do programa CQC, “Custe o que Custar”, no ar pela Rede Bandeirantes de TV, que estão proibidos pela Câmara/Senado de entrarem nas dependências do Congresso para realizar suas tarefas jornalísticas.

A liberdade de expressão existe para ser exercida e não apenas para ser letra morta no papel. De que adianta vivermos num Estado de Direito que nos garante certas prerrogativas se não podemos exercê-las de fato? Como pode a própria Câmara nos assegurar um direito que ela mesma nos cassa?

A Constituição Federal, no Capítulo 1, Artigo 1º garante que “É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.”

Assim, por que não podem os repórteres do CQC entrar na Câmara/Senado para entrevistar os parlamentares? Parlamentares que, mais do que ninguém, devem ser ouvidos sobre os assuntos que pautam a discussão pública – e que já recebem dezenas de outros veículos de comunicação.
A alegação de que os profissionais do CQC não seriam jornalistas, e que por isso não poderiam ter acesso à Câmara/Senado, não se sustenta.

O CQC é um programa jornalístico e seus repórteres (também jornalistas) realizam perguntas e questionamentos inerentes a essa profissão. A pauta da atração é questionadora e pouco tradicional, mas respeita os limites éticos exigidos pelos padrões da imprensa nacional.

Pedimos, assim, não apenas à audiência do programa, mas a todos aqueles que prezam a manutenção do Estado de Direito e a liberdade de expressão, que manifestem seu apoio ao direito dos repórteres do CQC de circularem pelas áreas permitidas da Câmara/Senado sem qualquer constrangimento.

VAMOS AJUDAR GALERA, ENTREM NO LINK E ASSINEM!

NICK´S DO MSN- Servem pra tudo!

Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s. Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação, mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.

O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo. Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abada do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro. Mas a melhor parte da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…

‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana
promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas. O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas e as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.

‘Polly em NY’ acabou de entrar. Essa com certeza quer que todos saibam que ela está em uma viagem bacana. Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut com a legenda ‘Eu em Nova York’. Por que ninguém bota no Orkut foto de uma viagem feita a Praia-Grande – SP ?

‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.

Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente. Está depressiva porque tomou um pé na bunda e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.

‘ Maria Paula ocupada prá c** ‘ acabou de entrar. Se está ocupada prác**, por que entrou cara-pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.

‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes  (perigosas).

‘Marizinha no banho’ acabou de entrar. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca
tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.

‘ < . ººº< . ººº< / @ || e $ $ ! || |-| @ >ªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.

‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios
de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.

‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha
que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.

‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido.
Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.
‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem, declaração ou qualquer coisa do tipo, tem o campo certo em opções ‘digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam’ ou melhor, fica bem embaixo do campo do
nome!! Vamos facilitar!!!!

(Autor Desconhecido)

Quebra aê, quebra aê- A luta de classes

Chegado o grande dia para os fãs, o show do ASA 20 anos na gravação do DVD histórico. Quem vai aqui? Quem vai ali? Era o comentário que se ouvia, a cidade em peso desceu para o show, assim como os outdoors de shows de pagode convocam É DE CAMISA COLORIDA Saramandaia à Pituba vão descer!

Nessa hora não tem distinção ou briga de classes certo? Errado!

Logo mais eu conto por que.

Quem vai beber, não quer dirigir e ai começa a especulação das caronas, assim a nossa querida amiga suburbana pegou carona de seu grande amigo e juiz de luta livre, que também se ofereceu prontamente a levar outro amigo.

Depois de muita zueira, poeira e arrêia, a chuva veio pra lavar a alma daqueles fãs insanos que pulavam e se esmagavam para aparecer no DVD da sua banda preferida.

Muita cerveja, príncipe maluco, roska, montila, que agitou ainda mais a galera pra pular e dançar gritando: quebra aê, quebra aê, olha o ASA aê…som que mais tarde seria a trilha sonora da luta livre encenada pela nossa amiga suburbana contra as meninas de berço.

Acabou o show, todos exaustos, porém felizes querendo voltar pra casa. Cada um em busca de sua carona, do buzú super lotado, táxi, kombi, bicicleta, jegue, qualquer meio de transporte era válido pra sair dali. Eis que surge nossa amiga suburbana perdida do seu amigo juiz e colada no veículo esperando o seu condutor, pra sua surpresa juntos vieram o amigo e também as primas “meninas de berço”, alegando que foram roubadas por meliantes e que precisavam de uma carona. Grande coração do juiz no seu veículo coração de mãe sempre cabe mais um, aceitou levar as meninas por um gesto de piedade e solidariedade, não sabia ele o que estava por vir!

Adentrando no veículo de placa policial JPB 5463, as meninas de berço começaram blá-blá- blá ou có- có- có não sei dizer ao certo que dialeto era aquele, e nossa amiga suburbana pede com a sua sutileza comum: – Cala a boca ai!

As meninas de berço não gostaram e rispidamente começaram a xingar dizendo que não iam calar a boca. Amiga suburbana começou a se irritar e retribuiu os xingamentos, as meninas de berço ai largaram: – Cala a boca você sua suburbana, estranhaaaaaaaaaaaaaa! Nós temos berço e não somos baixo-astrais não! Moramos 8 anos na Inglaterra, sou viajada, culta e não toco berimbal minha filha, sou de elite! Nessa hora o cuspe já tava escorrendo pelo canto da boca de tanta boça.

Ops! Suburbana? Nossa amiga mora em Patamares, seria suburbana uma ofensa no critério das meninas de berço? Bom, se denominaram meninas de elite mais não tinha nenhum motorista a bordo de uma Mercedes pra ir buscar elas no show, nem um helicóptero, nem jatinho esperando. Apelaram pra carona e para boa vontade do juiz amigo da suburbana em seu ato de bondade (bom menino, com certeza tem sua vaga garantida no céu).

Depois de muitos xingamentos começou a trilha sonora do Asa de verdade: Quebra aê, quebra aê, olha a suburbana aê…e ela não contou conversa, desceu a mão nas meninas de berço e tascou-lhe um tapão no meio da testa de uma que o mel escorreu. Aberto a luta livre 1º Round. Primo das meninas de berço separa e tenta segurar uma aqui, outra ali. 2º Round: Suburbana xinga e não aceita os desaforos das meninas de berço histéricas que já haviam sido roubadas por meliantes e agora apanhavam mais que mala velha.

3º Round: Nosso caro juiz de luta livre não agüentava a gritaria, e as penas soltas pelas meninas de berço já atrapalhavam sua visão na direção do veículo, pisou pé no freio bruscamente e resolveu levar a briga pra rua.

4º Round: Suburbana parte pra cima das meninas com mão fechada e quer distribuir murro, o povo que estava perto começa a gritar: BRIGAAAAAAAAAAAAAAA! A roda se formou e o povo que estava na rua começou a torcer, aposto 10 na magricela, o outro aposto 20 na grandona, e as meninas de berço querendo fugir e a suburbana querendo bater – “vem que você vai ver que aqui é muito diferente da Inglaterra minha filha! Aqui não tem berço certo, vacilou cai na madeira”, dizia a suburbana com sangue no olho e fogo nas venta.

O bicho tava pegando até que o juiz grita: PARAAAAAA TUDOOOOOOOOOO!!!!

- O veículo é meu, e quem vai comigo é minha amiga suburbana. A galera grita: Êeeeeeeeeeeeeeeeee vai de buzú, vai de buzú, vai de buzú!!!!

Final da luta suburbana 3 x 0 meninas de berço que acabaram indo de buzú pra aprender que cavalo dado não se olha os dentes e que certos casos é melhor ficar pianinho do que ir embora tocando biela na paletada.

Sobre Estar Sozinho (Dr. Flávio Gikovate)

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher; ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria.
Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo…

O Contrário do AMOR

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. 

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro. 

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

     Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada. 

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

(Autor Desconhecido)


SAFENA (Elisa Lucinda)

Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.

Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões

Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate

O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.

Repatriados na própria pátria

z-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgz-orgulho-brasileiro2.jpgDe acordo com o dicionário da língua portuguesa, repatriar significa: restituir ou fazer regressar à pátria. São inúmeros os comentários sobre os brasileiros que vêm sendo repatriados da Espanha, ou melhor dizendo, humilhados, escorraçados, maltratados, dentre outros adjetivos que não cabe aqui citar.

Finalmente o Brasil decide usar o princípio da reciprocidade para com o tratamento dado aos nossos brasileiros que tentam entrar na Europa. Seguindo os princípios e regras do estatuto dos estrangeiros previsto na Lei 6815/80, os brasileiros finalmente resolveram ser um pouco mais criteriosos na entrada de estrangeiros e vem repatriando os mesmos que tentam entrar no país sem estar devidamente documentados ou legalizados perante as exigências vigentes na lei. Atitude plausível, porém, tardia! Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca!

Na verdade o brasileiro é um cidadão repatriado no seu próprio país (precisa ser lembrado de regressar a pátria todos os dias), se ausenta das responsabilidades como cidadão, e só se lembra de sua nacionalidade de quatro em quatro anos e não é na época de eleições, mas sim na época da copa. Ali sim, todos têm o orgulho de ser brasileiro, se vestem no manto verde e amarelo e gritam com todo orgulho: “Eu sou brasileirooooooooooooo, com muito orgulhooooooooo, com muito amoooooooooooooor”.

Que orgulho é esse? De ser o “melhor” no futebol e o pior em todo resto? De eleger todo ano corruptos e ficar inerte aos acontecimentos porque acha que já fez demais em ir votar? De aceitar a falta de educação, saúde, comida, respeito, emprego, moradia e condições mínimas de uma vida digna? Parece que o futebol supera tudo e a gente vai ficando assim, aceitando o tratamento que nos é dado lá fora. Sabe por que isso acontece? Porque estamos acostumados a ser humilhados, escorraçados e maltratados. Como exigir respeito fora, se aqui dentro não somos respeitados?

Deveríamos retornar à pátria todos os dias, e nos questionar o que temos feito para mudar as humilhações sofridas. Ver pequenas atitudes como esta da Polícia Federal em repatriar os estrangeiros que não estejam em conformidade com as normas de imigração realmente nos orgulha, mas antes de exigir o respeito dos de fora, temos que mudar muita coisa aqui dentro, e ai sim quem sabe, teremos respeito lá fora, aqui dentro ou em qualquer lugar que formos sem sermos repatriados.

 

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Fonte: http://www.almacarioca.com.br

Autoria: Marina Colasanti
 

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